Se no Brasil o canal Porta dos Fundos causa confusão toda vez que
inclui uma referência religiosa, nos Estados Unidos a imagem de Jesus é
usada em um vídeo de uma campanha online pró-aborto. A grande
repercussão do assunto mostra que o debate sobre como e quando pode se
fazer piadas com o nome de Jesus é parecido em todos os países de
maioria cristã.
Com quase um milhão de visualizações, a atriz e comediante Sarah
Silverman publicou em seu canal um esquete de cinco minutos onde mostra
como recebeu uma visita de Jesus Cristo em sua casa. O inusitado da
conversa é que Jesus pede a ela que leve sua “palavra”, no caso, o apoio
à legislação americana sobre o aborto.
Michael Weatherly, ator que interpreta Jesus, mostra o Salvador como
uma pessoa “bem humorada”, mas que afirma estar “muito chateado” ao ver
como as pessoas estão usando seu nome para espalhar a intolerância e a
opressão. Depois, senta no sofá com a atriz para assistir ao seriado
“NCIS: Investigação Policial” e comer pipoca. Uma referência ao seriado
que Weatherly participa. Há uma cena onde ele faz massagens nas costas
dela. Então Sarah pergunta como ele sabe do que ela gosta.
Em determinado momento, Sarah pergunta a “Quando a vida começa?”, a
resposta, dada por Jesus, entre risadas é “A vida começa aos 40”. Mas
depois acrescenta “Óvulos fertilizados não são pessoas. As pessoas é que
são pessoas”.
Essa é a deixa para Silverman, que é de uma influente família judia
mas se declara ateísta, reclamar de como o governo mistura direitos
civis com religião na hora de legislar. Defendendo um Estado laico e o
direito de as mulheres abortarem como uma “questão de saúde”, critica a
nova legislação que exige que as abortistas passem por uma sonda vaginal
e sejam forçadas a olhar para o ultrassom do feto”.
O vídeo termina com ela defendendo uma campanha de nome impublicável e
pedindo que as pessoas não deixem a religião atrapalhar as decisões
políticas do país.
A influente revista Charisma classificou o vídeo como “o discurso
cômico com mais blasfemas que eu já vi”. Políticos conservadores também
emitiram notas de repúdio. Outros grupos cristãos pedem um boicote ao
canal Comedy Central, onde Sarah tem um programa semanal e que também
postou o vídeo em seu canal do Youtube. Surpreendentemente grupos judeus
antiaborto também se manifestaram contrários ao material divulgado por
ela.


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