Dan Martins
O Antigo Testamento contém inúmeras menções de camelos como animais
domesticados, sobretudo em relatos de Abraão, Jacó e José, que foram
tradicionalmente colocados entre 2000 e 1500 a.C. Porém, um estudo feito
por arqueólogos israelenses afirma que tais relatos não estariam
historicamente corretos, alegando que apesar da menção de camelos no
primeiro livro da Bíblia, os animais não foram domesticados em Israel
até o século 9 a.C.
Os estudiosos que assumem Moisés como autor dos cinco primeiros
livros da Bíblia afirmam que os mesmos foram escritos entre 1446 e 1406
a.C. No entanto, os arqueólogos da Universidade de Tel Aviv afirmam
agora que a datação por carbono feita em ossos de camelo sugere que os
seres humanos não começaram a usar os animais como animais de carga,
pelo menos até o século 8 do a.C. e não durante o século 11 a.C., como
era originalmente sugerido.
Além de desafiar a historicidade da Bíblia, este anacronismo é uma
prova direta de que o texto foi compilado bem depois dos eventos que
descreve – afirma um comunicado emitido pela universidade.
À medida que os arqueólogos começaram a escavar ossos de camelos no
local onde hoje é Israel, eles perceberam que encontravam as ossadas
“quase que exclusivamente em camadas arqueológicas que datam do último
terço do século 10 a.C. ou mais tarde”, séculos após a vida de Abraão e
décadas após os reinados de Saul, Davi e Salomão.
A introdução do camelo em nossa região foi um desenvolvimento
econômico e social muito importante – explicou Erez Ben-Yosef, que
executou o projeto de pesquisa com o seu colega Dr. Lidar Sapir-Hen, do
Departamento de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv.
Ao analisar a evidência arqueológica dos locais de produção de
cobre do Vale do Aravah, fomos capazes de estimar a data do evento
[domesticação dos camelos] em termos de décadas ao invés de séculos –
completou o estudioso, explicando que introdução de animais domesticados
na área iniciou mudanças dramáticas na mineração de cobre local.
NOTA: Com o avanço das pesquisas arqueológicas desde o século XIX, inúmeros
avanços nas áreas da antropologia e história foram verificados. Como não
haviam registros sobre a existência de pessoas, objetos e eventos em
outras fontes, que não fosse aquelas que mencionavam essas pessoas,
objetos e eventos, a arqueologia vem conseguindo estabelecer no tempo e
no espaço a veracidade dessas informações. Pessoas e eventos tidos como
lendas ganharam historicidade comprovada e ampliada mediantes as novas
evidências disponíveis. A mesma coisa vem acontecendo com os personagens
e eventos da Bíblia. O fato das evidências apresentadas no texto
apontarem para uma outra direção, não provam que o relato bíblico seja
falso, mas apenas que até o momento a arqueologia não corrobora a tese
da domesticação dos camelos antes do século 8 a.C. Isso pode ser
reavaliado com o tempo, e novas pesquisas podem acabar comprovando o que
a Bíblia e outros livros antigos estão afirmando. Vale lembrar que a datação por carbono não é tipo como um evento certo, mais calcula uma probabilidade aproximada, com isso está sujeita a ter outros resultados dependendo exclusivamente do método a ser executado durante o experimento.
No mais, não nos interessa disputar a domesticação ou não dos animais pelo homem, visto que na bíblia, o personagem em foco é, e sempre será, o homem e seu relacionamento com Deus e não os animais por ele domesticados.

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