Essa frase parece engraçada e
talvez você a esteja julgando como um princípio errado e egoísta, mas você
sabia que esta é a realidade em 79% dos casamentos que acabaram em divórcio no
ano de 2020? O pior é que, provavelmente seu casamento esteja caminhando nesta
direção e você ainda nem percebeu o perigoso precipício a sua frente.
Que tal dar meia volta e rever os
erros antes que seu relacionamento faça parte de mais um número infeliz nesta
estatística? Vamos lá então. Vamos falar sobre seu egoísmo. E nem adianta se
irritar e esbravejar que não é egoísta leia este artigo até o fim e tire suas
conclusões ao final. Bora começar?
1. Definindo egoísmo:
O termo foi criado no século
XVIII para indicar a atitude de quem dá importância predominante a si mesmo ou
aos seus próprios juízos, sentimentos, necessidades ou interesses e pouco, ou
nada, se preocupa com os outros. Platão já achava que o "amor desmesurado
por si mesmo" é a causa de todas as culpas dos homens. O egoísmo pode passar
despercebido em relações superficiais, mas é facilmente identificado em
relações íntimas sejam elas amorosa, de amizade ou familiar. Não importa o
ambiente, o egoísta está sempre se priorizando, se achando merecedor de
benefícios e se considerando mais importante que os demais.
O egoísta traz consigo a essência
do amor objetal, isto é, enquanto há favorecimento há vínculo, mas quando acaba
os ganhos, acaba a conexão. Pessoas egoístas são motivados por interesse e
cortar a mordomia deles não significa que haverá uma mudança, ao invés disso
eles preferem buscar uma nova relação para nutrir sua incompletude. Agora,
pessoas egoístas são capazes de viver a dois?
A psicóloga Melissa Piske
Indalecio, especialista em Psicologia Analítica, explica que uma relação à dois
envolve muitos aspectos psicológicos e o principal está relacionado às
projeções que cada um identifica no outro. O inconsciente produz efeitos quase
nostálgicos quando começa a trabalhar buscando a integração total do ser a
partir do outro. “É quase como o velho jargão que fala: ‘é a tampa da minha
panela’ – ou seja, nesse relacionamento, o indivíduo deseja integrar as suas
partes faltantes. Ao amar no parceiro as próprias características, como
acontece no fenômeno psicológico chamado de projeção, o indivíduo busca ‘o
matrimonio interior’, que nada mais é que a sua integração através do outro, os
próprios conteúdos inconscientes”
O principio fundamental do amor é
o altruísmo, isto é, amar é colocar a necessidade e os desejos do outro além
dos seus. Quem ama vive e deseja viver para o amado. O egoísta, por outro lado,
vive para si já que até suas relações são construídas para satisfazê-lo.
2. Atitudes egoístas no
casamento
Agora que você sabe o que é
egoísmo e como são as pessoas egoístas vamos ao centro de nosso objetivo,
trataremos aqui de cinco atitudes egoístas que são comumente encontradas nos
casamentos modernos.
2.1. Dividir tudo entre “o meu” e “o dela/dele”
É fato que o casamento é
constituído por duas pessoas, na maioria das vezes, completamente distintas e
com bagagens emocionais construídas ao longo de sua infância e juventude. É,
portanto, comum que cada cônjuge tenha seus sonhos, objetivos, metas, amigos,
hobbies, etc., mas você abriu mão de sua independência ao dizer sim naquele
altar. Seus sonhos agora devem ser para o casal, não seu. Seus objetivos devem
ser em conjunto, nunca individualista. Sua meta, agora, é a felicidade completa
do seu companheiro(a).
Esqueça as filosofias de boteco
como: “você precisa se amar”. São frases repetidas por egoístas infelizes que
já não conseguem encontrar no outro a satisfação de seus deleites. Quando isso
ocorre o egoísta tende a exigir que a outra pessoa mude tentando impor suas
próprias vontades e ao receber negativas como resposta criam frases de
para-choque de caminhão.
Não estou dizendo que você não
pode ter sonhos, hobbies, amigos... Mas você deve tomar cuidado de não excluir
seu companheiro(a) de todas essas coisas. Tudo deve ser feito a dois. Existem casais
que, mesmo vivendo embaixo do mesmo teto, estão vivendo vidas completamente
distintas. São, no máximo, o passatempo um do outro, e não o companheiro de
toda a vida.
2.2. “Meu tempo”
Costumo dizer que alguns
casamentos são parecidos com cartão de crédito. Algumas pessoas encontraram o
banco dos sonhos, com um cartão ilimitado para satisfazer todos os seus
caprichos, basta digitar a senha e ser feliz, mas... havia inscrições nas
entrelinhas que foram ignoradas e que, agora, fazem essa pessoa chorar
amargamente arrependida de ter aceitado o bendito cartão.
Quantos casais não começaram
dando um ao outro o melhor de si. Sempre estavam ali, prontos a satisfazer
qualquer capricho do outro, mas o tempo foi passando, as escritas nas
entrelinhas do casamento foram aparecendo (água, luz, aluguem, filhos, roupas,
comida...), a necessidade de manter uma vida ativa no trabalho torna o estresse
um dos maiores motivos de brigas no casamento.
É muito comum entre o casal ter
sempre um que reclama da falta de tempo do parceiro. Seja por excesso de
aplicação ao trabalho, seja por excesso de cansaço que o impele de dedicar
algum tempo ao parceiro(a) e aos filhos. Cuidado com a premissa de tirar um
tempo para si e deixar que seus dias, meses e anos sejam desperdiçados enquanto
o seu casamento e os filhos são deixados para trás.
2.3. “Minha vida”
Muitas pessoas ao se casarem
acham que as coisas poderão ser feitas da maneira que bem entendem. Querem o
casamento, mas não estão dispostos a arcar com as responsabilidades pertinentes
ao matrimônio. É cada vez maior o número de casais independentes cujos cônjuges
têm cada um uma vida completamente distinta e distante do seu parceiro. Homens
e mulheres que desejam curtir sua liberdade estando presos um ao outro. Casais
que não aceitam dar satisfação ao companheiro(a).
Assim seguem diariamente com o
casamento separado, cada um com sua própria vida, seu celular, seus segredos,
seu mundo, seus amigos... Não consigo imaginar como isso é ser “uma só carne”
(Mc 10.8).
2.4. “Minhas vontades”
Aí está algo extremamente
frustrante: ter um marido ou mulher que quer que suas vontades prevaleçam
sempre. Ninguém suporta por muito tempo ter suas vontades anuladas.
Qualquer atitude egoísta faz
muito mal para a própria pessoa, assim como para o casamento e a família. É
importante que o cônjuge prejudicado não se anule para agradar o parceiro ou
para evitar bater de frente com ele, mas que coloquem os pingos nos “is”
através de conversas francas e frequentes. E se não houver progresso, ele deve
procurar ajuda profissional para o cônjuge, pois quando o egoísmo é exacerbado,
geralmente há algum transtorno de personalidade associado. É bom
averiguar.
2.6. “Meu dinheiro”
O dinheiro é o principal motivo
das brigas nos casamentos, segundo 37,5% das mulheres ouvidas em uma pesquisa
realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação
Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). As DRs acontecem, principalmente,
porque os casais discordam da forma como o outro gasta e porque falta dinheiro
em casa.
Segundo a consultora financeira
Evanilda Rocha, “Falar sobre dinheiro não é muito romântico, mas o assunto
precisa fazer parte da vida a dois”. Muitos casais só conversam sobre dinheiro
quando já chegou a hora de brigar, mas não é saudável deixar chegar nesse
ponto.
O casal precisa entrar em um
acordo de como deve gastar, guardar ou investir o dinheiro, mas deve ter
ciência que isso envolve toda a renda da família e não de apenas um dos
cônjuges. Você até pode ter seus desejos e ambições de como e onde gastar seu
salário mais nunca faça isso sem consultar seu companheiro(a).
E nem adianta fazer beicinhos ou
sapatear, casou. Assuma as responsabilidades.


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