Vemos que nos entes, uns são melhores, mais nobres, mais verdadeiros ou
mais belos que outros. Constatamos que os entes possuem qualidades em graus
diversos. Assim, dizemos que o Rio de Janeiro é mais belo que Carapicuíba.
Nessa proposição, há três termos: Rio de Janeiro, Carapicuíba e Beleza da qual
o Rio de Janeiro participa mais ou está mais próximo. Porque só se pode dizer
que alguma coisa é mais que outra, com relação a certa perfeição, conforme sua
maior proximidade, participação ou semelhança com o máximo dessa perfeição.
Portanto, tem que existir a Verdade absoluta, a Beleza absoluta, o Bem
absoluto, a Nobreza absoluta, etc. Todas essas perfeições em grau máximo e
absoluto coincidem em um único ser, porque, conforme diz Aristóteles, a Verdade
máxima é a máxima entidade. O Bem máximo é também o ente máximo.
Ora, aquilo que é máximo em qualquer gênero é causa de tudo o que existe
nesse gênero. Por exemplo, o fogo que tem o máximo calor, é causa de toda
quentura, conforme diz Aristóteles. Há, portanto, algo que é para todas as
coisas a causa de seu ser, de sua bondade, de sua verdade e de todas as suas
perfeições. E a isto chamamos Deus.
Por esta prova se vê bem que a ordem hierárquica do universo é
reveladora de Deus, permitindo conhecer sua existência, assim como conhecer
suas perfeições. É o que diz Paulo na Epístola aos Romanos (1:19). E também é
por isso que Deus, ao criar cada coisa dizia que ela era boa, como se lê em
Gêneses 1. Mas quando a Escritura termina o relato da criação, diz que Deus, ao
contemplar tudo quanto havia feito, viu que o conjunto da criação era
"valde bona", isto é, ótimo.
Pois bem, se cada parcela foi dita apenas boa por Deus como se pode
dizer que o total é ótimo? O total deve ter a mesma natureza das parcelas, e
portanto o total de parcelas boas devia ser dito simplesmente bom e não ótimo.
São Tomás explica essa questão na Suma contra Gentiles. Diz ele que o total foi
declarado ótimo porque, além da bondade das partes havia a sua ordenação
hierárquica. É essa ordem do universo que o torna ótimo, pois a ordem revela a
Sabedoria do Ordenador. Por aí se vê que o comunismo, ao defender a igualdade
como um bem em si, odeia a ordem, imagem da Sabedoria de Deus. Odiando a imagem
de Deus, o comunismo odeia o próprio Deus, porque quem odeia a imagem odeia o
ser por ela representado. Nesse ódio está a raiz do ateísmo marxista e de sua
tendência gnóstica.


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