Na natureza, há coisas que podem
existir ou não existir. Há seres que se produzem e seres que se destroem. Estes
seres, portanto, começam a existir ou deixam de existir. Os entes que têm
possibilidade de existir ou de não existir são chamados de entes contingentes.
Neles, a existência é distinta da sua essência, assim o ato é distinto da
potência. Ora, entes que têm a possibilidade de não existir, de não ser, houve
tempo em que não existiam, pois é impossível que tenham sempre existido.
Se todos os entes que vemos na
natureza têm a possibilidade de não ser, houve tempo em que nenhum desses entes
existia. Porém, se nada existia, nada existiria hoje, porque aquilo que não
existe não pode passar a existir por si mesmo. O que existe só pode começar a
existir em virtude de um outro ente já existente. Se nada existia, nada existiria
também agora. O que é evidentemente falso, visto que as coisas contingentes
agora existem.
Por conseguinte, é falso que nada
existia. Alguma coisa devia necessariamente existir para dar, depois,
existência aos entes contingentes. Este ser necessário ou tem em si mesmo a
razão de sua existência ou a tem de outro.
Se sua necessidade dependesse de
outro, formar-se-ia uma série indefinida de necessidades, o que, como já vimos
é impossível. Logo, este ser tem a razão de sua necessidade em si mesmo. Ele é o
causador da existência dos demais entes. Esse único ser absolutamente
necessário - que tem a existência necessariamente - tem que ter existido
sempre. Nele, a existência se identifica com a essência. Ele é o ser necessário
em virtude do qual os seres contingentes tem existência. Este ser necessário é Deus.


1 Comentários
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