João Cruzué
O
capítulo 21 do Evangelho segundo São João é muito especial para os
servos de Deus que uma vez receberam a chamada ministerial. Sete
discípulos, a poucos dias de receber o apostolado, estavam passando por
um período de falta de orientação espiritual. E a experiência por que
passaram não deixou mais dúvidas, principalmente no coração de Pedro.
A pescaria durou a noite toda. nada
apanharam. Aqueles homens tinham famílias, ainda não tinham sustento da
Igreja. A atividade da pesca era a forma de garantir o peixe cotidiano,
para esposas, sogras, filhos, vizinhos, a parentela. A vida continuava.
-- Filhos, tendes alguma coisa par comer?
--Não!
-- Lançai a rede à direita do barco e achareis.
Quando Pedro disse que iria pescar, foi
acompanhado pelos outros seis. Não tinha se esquecido do compromisso com
Jesus, mas não sabiam o que deveriam fazer naqueles dias.
Principalmente Pedro.
A mesma rede, o mesmo barco e o mesmo
Lago de Tiberíades. Sob a ordem "lançai", um cardume de 153 grandes
peixes se formou à direita do barco à espera da rede. A mesma voz que
falava com os homens, comandava peixes.
Por que os sete pescadores passaram a
noite inteira trabalhando e nada conseguiram? Atrevo-me a dizer que
estavam fazendo certo a coisa: lançando a rede. Fazer certo é diferente
de fazer certo a coisa certa. Jogo de palavras para comparar eficiência
com eficácia. Para pescar era preciso um barco e uma rede. Mas, para
apanhar os peixes era preciso lançar a rede sobre um cardume.
E os pescadores foram abençoados porque
precisavam sustentar suas famílias. E quando o dia raiou não tinha
apanhado nem um peixe sequer. Mas, eis que o Senhor apareceu e mandou
lançar de novo a rede à direita do barco e ela se encheu.
Nós podemos ficar muito frustrados,
mesmo sendo servos de Deus. Não basta só uma rede e um barco para pegar
muitos peixes. Na pressa de fazer muitas coisas, corremos o risco de
frustração, se não considerarmos a vontade de Deus. Uma vez salvos e
servos de Cristo, nada deve ser mecânico: eu vou, eu faço e eu consigo.
Não! Agora não deve ser mais assim. Temos que consultar o Senhor, como
fazia Davi antes de definir o planejamento da guerra contra os
filisteus.
Fazer a coisa certa, mas fora da vontade
de Deus. O Rei Saul era useiro e vezeiro de agir assim. Toma a frente
de Deus e até mudava as ordens dele, e depois racionalizava com
justificativas esfarrapadas.
--Senhor, hoje nós precisamos pescar
para ter o peixe na mesa de nossas famílias amanhã. Foi esta oração que o
Apóstolo João registrou no Evangelho? Não! Às vezes, fazer uma coisa
parece tão óbvio, que julgamos não haver a mínima necessidade de orar.
Mas, estas obviedades podem trazer muitos transtornos.
Estar no lugar errado na hora errada, pode, sim, ter consequências muito graves. Você sabe o que quero dizer. Então, é melhor acostumarmo-nos a depender de Deus e orar, até mesmo diante das coisas simples.
Quando o Senhor perguntou três vezes:
"Pedro, tu me amas?" estava chamando a sua atenção para uma mesma falha.
A questão da profecia do cantar do galo e do impulso de subir no barco
para ir pescar. Na primeira vez, Pedro não considerou a possibilidade de
sua coragem falhar. Na segunda, também não imaginava que a pescaria
também poderia fracassar.
Não podemos sair vitoriosos de uma
empreitada se não considerarmos primeiro o Deus quer de nós. Isto tem a
ver com nossa chamada ministerial. Pedro tinha um chamado e uma missão.
Se ele servisse ao SENHOR no ministério, o SENHOR sustentaria a casa de
Pedro. De João, de Antônio, de José...
A questão é: se somos cristãos, devemos
submeter nossos planos a Cristo. Será que, se Pedro tivesse reunido os
outros seis, e antes de ir para o lago tivessem pedido a bênção do
SENHOR, pescariam a noite inteiro sem ter pegado nem um peixe?
Nos dias de hoje, você faria do mesmo jeito?


0 Comentários