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O Calendário Luno-solar Hebreu

Demétrius A. Silva
 
Aguardamos ansiosos por 2012, novos objetivos, desafios, sonhos, etc. Mas como o povo de Deus no velho e novo testamento computavam seus dias? Nesta matéria, relatarei os métodos usados pelos hebreus, para computarem o tempo.

Dia
A palavra dia se emprega em vários sentidos. Denota ordinariamente o tempo que leva a Terra para dar uma volta sobre seu próprio eixo. O dia civil é aquele cujo princípio e fim, foram fixados pelo costume dos diversos povos antigos. Os israelitas costumavam contar o dia de uma
 
tarde à outra, ao passo que entre nós se conta de meia-noite à outra. O dia natural constitui o espaço de tempo que dura a claridade solar sobre o horizonte, o qual corresponde ao transcurso entre nascer e pôr do sol (Lv. 23:32).

Divisões do dia (antigas). O dia natural era dividido pelos hebreus em manhã, meio-dia, tarde, como se observa a seguir:

Manhã, até as 10 da manhã.
Meio-dia, até as 2 da tarde.
Tarde, até as 6 da tarde.

Divisões da noite (antigas). A noite por sua vez era dividida em três vigílias ou velas de quatro horas cada, isto é:

Primeira vigília, até a meia-noite (Lm. 2:19).
Vigília do meio, até as 3 da manhã (Jz. 7:19).
Vigília Tercia, ou da manhã, até as 6 da manhã (Ex. 14:24).

Mas no Novo Testamento se vê claramente que dividiam o dia em doze horas, cuja duração flutuava segundo as estações, embora de modo geral se contasse desde as 6 da manhã até as 6 da tarde. A noite era dividida em quatro vigílias à maneira dos romanos.

Divisões do dia (posteriores)
A 1a hora (prima) corresponde às 6.
A 3ª hora (tercia) corresponde às 9
A 6ª hora (sexta) corresponde às 12 ou meio-dia.
A 9ª hora (nona) corresponde às 3 da tarde.
A 12ª hora (duo décima) corresponde às 6 da tarde.
Divisões da noite (posteriores).

Primeira vigília ou “Da tarde” das 6-9.
Segunda vigília ou “Da meia-noite” de 9-12.
Terceira vigília ou o “Cantar do galo” de 12-3
Quarta vigília ou “Da manhã” de 3-6.

Semana
A divisão da semana em sete dias remonta ao tempo de criação, sendo enumerados os dias em lugar de nomes, por exemplo, primeiro dia, segundo dia, até sétimo dia, que era o do repouso.
Mês
Os meses hebreus eram lunares, por estarem regulados de conformidade com as fases da lua, começando na lua nova. Como uma lunação requer um pouco mais de 291/2 dias, os meses de 29 a 30 dias alternativamente, somando 354 dias. Para acomodar este ano lunar de 354 dias ao ano solar de 365 dias intercalava-se um mês suplementar cada 3 ou 4 anos. Este mês se chamava Ve-adar ou Adar-segundo.
No Princípio não designaram os meses com nomes particulares, mas eram citados por sua ordem no ano. Por exemplo, primeiro mês, segundo mês, etc., porém, depois do cativeiro cada mês recebeu seu nome distintivo, tomado, segundo se crê do uso dos caldeus e persas (1 Reis 8:2).
 
Ano
Dividia-se em Sagrado e Civil. Pelo primeiro, que começava em março-abril com a lua nova, em recordação da saída dos hebreus do Egito, o qual correspondia ao sétimo mês, no ano civil, se fixaram as festas religiosas. O segundo, que começava em setembro-outubro, na lua cheia, regia para os trabalhos agrícolas e os assuntos civis, calendário oficial de reis, nascimentos e contratos.
 

Calendário Hebreu.

No quadro abaixo foram consignados o número e nome dos meses judeus e sua correspondência aproximada em nosso calendário, junto com a estação agrícola e o tempo.

Mês
Ano Sagrado  e Civil
Estação Agrícola e Tempo.

Nisã ou Abide (mar.-abril) (Êx. 23:15)
I -7
Colheita da cevada na região costeira. Trigo maduro no Vale do Jordão. Colheita de linho em Jericó. Chuva tardia.


Zive (abr.- maio) (1Rs. 6:1-37)
II -8
Colheita de cevada nos altos e de trigo nas terras baixas. A vegetação no baixo Jordão murcha. Chuvas raras vezes.


Sivã                        (maio-junho)                           (Et 8:9)
III-9
Trigo maduro nas alturas. As amêndoas estão maduras. Maçãs maduras na região costeira. Primeiros figos maduros. As uvas começam a amadurecer. Bastante calor. Ventos quentes frequentes.


Tamuz                      (jun.-julho)                   (Ez. 8:14)
IV-10
Maçãs, peras, amixas, cerejas, abóboras, etc., amadurecimento. Primeiras uvas. Os arroios secam. Céu sereno. Muito calor. O solo fica crestado.


Abe (jul.-agosto)
V-11
Figos, nozes e olivas maduros. Começo da vindima. Campina seca, gretada e triste. Orvalho à noite. Calor muito intenso.


Elul  (ago.-setembro)  (Ne. 6:15)
VI-12
Algodão em bolotas. Vindima geral. Tâmara e romãs maduras. De maio a outubro, copioso orvalho à noite.


Etanim ou Tisri.   (set.-outubro) (1Rs 8:2)
VII-1
Vindima na Palestina setentrional. Colheita de algodão. Começo da lavra e semeadura. Vento frio do N.


Bul (out.-novembro) (1Rs 6:38)
VIII-2
Mês da lavra e semeadura. Cidras e laranjas em flor. As chuvas não são fortes até fim do mês.


Quisleu (nov.-dezembro) (Zc 7:1)
IX-3
As árvores perdem suas folhas. Neve nas cordilheiras. As campinas cobertas de flores. Os desertos antes ermos, reverdecem de verdes pastos. As chuvas são abundantes.


Tebete (dez.-janeiro) (Et. 2:16)
X-4
As laranjas amadurecem. Os rios aumentam seu caudal. Prados adornados de flores. Neve e nevoeiros nas alturas. Às vezes uma ligeira nevada em Jerusalém. Meses de chuva mais copiosa: dezembro a fevereiro.


Sebate (jan.-fevereiro) (Zc. 1:7)
XI-5
Laranjeiras carregadas de frutos nas terras baixas. Amendoeiros e pessegueiros em flor. Laranjeiras carregadas de frutas nas regiões cálidas. Rios caudalosos.


Adar (fev.-março) (Et 3:7)
XII-6
Colheita de cevada em Jericó. Os rios crescem. Furacões. Neve raras vezes.





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